Oficina de Imaginação Política • Oficinas e apresentação pública com Barbara Glowczewski
27 Oct 2016 - 27 Oct 2016
15:00 - 18:00
PAVILHÃO DA BIENAL• OFICINA DE IMAGINAÇÃO POLÍTICA (2º PISO)
28 Oct 2016 - 28 Oct 2016
15:00 - 18:00
PAVILHÃO DA BIENAL• OFICINA DE IMAGINAÇÃO POLÍTICA (2º PISO)
29 Oct 2016 - 29 Oct 2016
14:00 - 16:00
PAVILHÃO DA BIENAL• OFICINA DE IMAGINAÇÃO POLÍTICA (2º PISO)

Barbara Glowczewski é professora-pesquisadora no CNRS Centre National de Recherches Scientifique, na França, e membro do Laboratório de Antropologia Social no Collège de France (http://las.ehess.fr/index.php?1716). Glowczewski vêm dedicado o seu trabalho para a defesa da criatividade do pensamento dos Aborígines australianos, por meio de uma variedade de explorações artísticas, cinematográficas e narrativas. Desde 1979, ela vêm trabalhando com diversos grupos indígenas da Austrália (povos Warlpiri no deserto central, Yawuru na costa oeste do Oceano Índico norte e Palm Islanders na costa nordeste do Oceano Pacífico). Publicou inúmeros livros na França e outros países, assim como centenas de artigos em revistas acadêmicas internacionais ou coletâneas. "Devires Totemicos Cosmopolitica do Sonho / Totemic becomings. Cosmopolitics of Dreaming", publicado pela n-1, é seu primeiro livro publicado no Brasil e consiste em uma colagem de onze textos que traçam seu envolvimento ao longa de sua vida com a Ecosofia de Felix Guattari, seu trabalho de campo na Austrália e sua crítica à antropologia enviesada pelo gênero e racialidade.

27 Oct 2016 - 27 Oct 2016
15:00 - 18:00
PAVILHÃO DA BIENAL• OFICINA DE IMAGINAÇÃO POLÍTICA (2º PISO)

Oficina Cartografar as existências, com a pesquisadora Barbara Glowczewski: "Nas Nações Unidas, a expressão 'povos indígenas' (do francês peuples autochtones) tende apenas a designar os povos colonizados que se identificam e são identificados assim devido a sua economia, baseada em atividades de subsistência como a caça, a coleta, a horticultura e o pastoreio, com uma visão muitas vezes holística e sagrada da terra, e por serem considerados minoria em suas próprias terras. Esses critérios parecem corresponder a milhares de grupos linguísticos espalhados pelo planeta, e que representam pelo menos 6% da população global. O pedido para que recebam o estatuto de povos soberanos já vem sendo discutido na ONU há mais de trinta anos e, enquanto isso, seus modos de vida, quer seja na Amazônia, na Sibéria, na Mongólia ou no deserto de Kalahari, são ameaçados pela violência de Estado, ou pela engenharia florestal e pelas empresas de mineração. Na África, o reconhecimento do estatuto de 'povos indígenas' relaciona-se aos povos tuaregues, berberes, bosquímanos, pigmeus, fulas e massais, mas exclui os grupos étnicos que praticam a agricultura ou que foram historicamente deslocados, ou seja, a maioria do continente. Na América do Norte, na Austrália e na Nova Zelândia, muitos povos indígenas vivem hoje em cidades ou reservas antigas que se tornaram comunidades autogeridas. Em uma mesma família, a realização social de alguns – através da arte, da educação, do esporte, da ação social ou da política – contrapõe-se ao desespero e à angústia suicida de outros. Ainda assim, esses que conseguem geralmente exigem sua indianidade e o direito ao reconhecimento cultural e legal de sua diferença como os primeiros australianos; eles lutam politicamente para trazer à luz a especificidade dos problemas que afetam as comunidades de onde vêm. Alguns grupos exploram diversas estratégias discursivas sobre a sua relação com a natureza e aceitam, por exemplo, o papel de guardiães ecológicos a fim de tentar recuperar um modelo público e economicamente justo de governo." (trecho de "Entre o espetáculo e a política: singularidades indígenas", 2011, nº13 do Cadernos de Subjetividade. 120-142.

28 Oct 2016 - 28 Oct 2016
15:00 - 18:00
PAVILHÃO DA BIENAL• OFICINA DE IMAGINAÇÃO POLÍTICA (2º PISO)

Oficina Cartografar as existências, com a pesquisadora Barbara Glowczewski

29 Oct 2016 - 29 Oct 2016
14:00 - 16:00
PAVILHÃO DA BIENAL• OFICINA DE IMAGINAÇÃO POLÍTICA (2º PISO)

Apresentação pública De Pé com a Terra com a pesquisadora Barbara Glowczewski: "Certamente, não basta praticar rituais para mudar de ontologia e de modo de existência transformando o meio coletivo. Contudo, há anos, cada vez mais movimentos ativistas em luta pela denúncia do cursos destrutor dos meios de vida, notadamente pelas industrias extrativistas que precipitam as transformações climáticas e envenenam as águas e o ar, buscam alianças e fontes de inspiração junto a povos tais quais os Ameríndios, que não tem a mesma visão da Terra que aquela que consiste em negar à Natureza sob o pretexto que essa teria sucumbido às technologias humanas. Nesse sentido, eu acredito que alguns movimentos híbridos estão ao menos inventando uma nova forma de ontologia.", trecho de "De pé com a Terra" de Barbara Glowczewski, apresentado em junho de 2016 na EHESS, PAris, França, no colóquio: Journée Terre 2.0 : comment ne pas manger la terre e que será traduzido ao português e publicado pelos Cadernos de Subjetividade.

Imagem: ritual yawulyu exclusivo de mulheres Warlpiri