Meses após o lançamento do Ato Institucional n. 5 (AI-5), oitenta por cento dos artistas convidados recusaram-se a participar da Bienal como forma de protesto contra a ditadura militar. A 10ª edição recebeu o apelido de “Bienal do Boicote”.

Presidente da Bienal: Ciccillo Matarazzo
Comissão Técnica de Arte: Aracy Amaral, Edyla Mangabeira Unger, Frederico Nasser, Mário Barata, Waldemar Cordeiro, Wolfgang Pfeiffer
No júri de seleção: Mário Schenberg, Oswald de Andrade Filho, Walmir Ayala
No júri de premiação: Doris Shadbolt, Patrick Waldberg

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Marcelo Nitsche, 'A Bolha' © Autor não identificado
Marcelo Nitsche, 'A Bolha' © Autor não identificado
Vista da Sala Geral da Suiça. À frente, escultura de Herbert Distel, 'Tapete de Ovos' © Autor não identificado
Visitantes observam escultura de Hermann Guggiari, 'Ara-Rupi-Â, Momento 3', na Sala Paraguai © Autor não identificado
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"Foi iniciada uma campanha internacional para boicotar a X Bienal que chegou aos Estados Unidos, França, México, Holanda, Suécia e Argentina, conseguindo o apoio e a simpatia de muitos artistas consagrados para a causa. Talvez pela primeira vez um grande grupo de artistas plásticos tenha conseguido se organizar a ponto de colocar o governo militar na defensiva. (...) O momento parecia pendular entre inovação e reação. Era inevitável que, em meio a essa realidade, a ideia de “decadência” rondasse os pavilhões e os meios da Bienal: “A X Bienal foi uma paródia de outras, mas triste e insignificante. A crise, porém, não é só da Bienal de São Paulo. A de Veneza passou agora por uma reforma para ver se sobrevive”, diria Mário Pedrosa, alargando os horizontes e o contexto da crise que atingia a arte". 

ALAMBERT, Francisco e CANHÊTE, Polyana. As Bienais de São Paulo da era do Museu à era dos curadores (1951-2001). São Paulo: Boitempo Editorial, 2004, p.124

"Na França, escreve Aracy Amaral, liderados pelo crítico de arte Pierre Restany, ‘em uma reunião no Musée d'Art Moderne, 321 artistas e intelectuais assinaram, no dia 16 de junho, um manifesto Non à la Biennale, baseado na declaração de testemunhas e na documentação relativa à censura no Brasil’. O manifesto foi veiculado também nos Estados Unidos (The New York Times) e na Itália (Corriere della Sera)"

FARIAS, Agnaldo (org.). Bienal 50 Anos, 1951-2001. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2001, p.147