Uma gigantesca boca elaborada por Vera Figueiredo “engolia” os visitantes da 12ª Bienal, demonstrando a força das derivações do neoconcretismo. Instalações e ambientes que apelavam para todos os sentidos do espectador foram reunidos no segmento Arte e Comunicação. Em substituição às comissões técnicas, a nova estrutura de seleção sob organização do Conselho de Arte Cultura (CAC) recusou 90% das obras brasileiras inscritas e a representação brasileira selecionou cem artistas por meio de júris regionais (Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba). Obras de Kandinsky são expostas pela primeira vez na América do Sul, trazidas pela delegação francesa.

Presidente da Bienal: Ciccillo Matarazzo
Secretariado técnico: Antonio Bento, Bethy Giudice, Ciccillo Matarazzo, Mário Wilches, Vilém Flusser
No júri de seleção: Geraldo Ferraz, Clarival Valladares, Lisetta Levi, Walmir Ayala
No júri de premiação: Antonio Bento, Donald Baum (crítico de arte norte-americano), Jiří Kotalík

Apesar de já prever manifestações diversas no regulamento da edição anterior – na seção “disposições gerais” –, na 12ª Bienal o documento já apresenta um capítulo tratando dessas possibilidades:
CAPITULO 11 Das manifestações
Art. 3.0 - A XII Bienal de São Paulo estará aberta às diversas manifestações atuais da criação artística, vindas de todos os continentes, realizando-se de 5 de outubro a novembro de 1973.
§ 1.0 - Será composta de: a) representação brasileira; b) representações do exterior, em salas nacionais sob a responsabilidade exclusiva dos países participantes; c) manifestações coletivas internacionais.
§ 1.° - As manifestações acima referidas constarão de: a) retrospectivas didáticas e históricas; b) temática; c) pesquisa e experimentação; d) “happenings”; e) simpósios e propostas de trabalho; f) experiências diversas, individuais e coletivas.
§ 3.0 - Objetivando aumentar o interesse do público no Brasil e no exterior serão tomadas, de acordo com as suas possibilidades, medidas pela Fundação Bienal de São Paulo e sugerida aos demais participantes a elaboração de videotapes e filmes (especialmente de TV) para divulgação prévia, em escala nacional e internacional, dos trabalhos e atividades constantes da XII Bienal de São Paulo.
§ 4.0 - Serão realizados filmes, para a documentação histórica e cultural e a divulgação posterior da manifestação.
"Ao recusar 90% das obras dos brasileiros inscritos na 12ª edição, a Bienal de São Paulo provocou também a criação de uma mostra paralela: A Bienal dos Recusados. Assim no dia 5 de outubro, enquanto as autoridades inauguravam a exposição no Ibirapuera, a Galeria Espade, na rua Pamplona, em São Paulo, abria as portas para as obras de 78 dos 236 rejeitados pelo júri". - AMARANTE, L. As Bienais de São Paulo / 1951 a 1987, p.214
UTILIZE ESTE ESPAÇO E PARTICIPE DA XII BIENAL - o pintor Fred Forest publicou uma série de espaços em branco nos jornais O Globo de 1973, convidando o leitor do jornal a encaminhar uma mensagem para ser apresentada na Bienal. O artista tinha em vista “tirar as pessoas da passividade, fazê-las pensar, entrando em contato com outras pessoas".

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