Centrada no tema "Iconografias metropolitanas", a 25ª Bienal tornou-se famosa pela presença numerosa de artistas brasileiros fora do eixo São Paulo/Rio de Janeiro. A nomeação do primeiro curador estrangeiro, o alemão Alfons Hug, causou polêmica. No entanto, a mostra recebeu excelente acolhida e bateu recorde de público, com 668.428 visitantes.

Presidente da Bienal: Carlos Bratke
Curador-geral: Alfons Hug
Curador Núcleo Brasileiro: Agnaldo Farias

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Carmela Gross, 'Hotel', na Seção geral Brasil © Juan Guerra
Carmela Gross, 'Hotel', na Seção geral Brasil © Juan Guerra
As rampas da 25ª Bienal, com vista para pintura de Katharina Grosse, 'Sem título', na seção Cidades - Berlim © Autor não identificado
O vão central da 25ª Bienal com destaque para a obra de Fabrice Gygi, 'Vigie', na seção Países - Suíça © Autor não identificado
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"Um número considerável de artistas da presente edição da Bienal ocupou-se intensamente com o tema da cidade e criou obras que se referem diretamente a São Paulo. Mas não se trata, aqui, de arte no espaço público, que, no caso de São Paulo, sempre corre o risco de desaparecer no vórtice do urban sprawl sem chamar a atenção. Faz mais sentido recuar para o espaço protegido do pavilhão da Bienal, que permite uma contemplação das obras, concentrada e sem perturbações. (...) Sob as condições da metrópole, a arte não concorre apenas com a arquitetura, mas também com todas as formas de cacofonia e contaminação visual. Concorre sobre tudo com todos os meios de comunicação de massa dimensionados com vistas à rápida reprodutibilidade técnica e ubiquidade, isto é, com o cinema, a televisão, a publicidade, o design e a moda".

HUG, Alfons. "Iconografias Metropolitanas". In 25ª Bienal de São Paulo – Países. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2002, p.18 (catálogo de exposição)

"Mais que oportuna, Hotel [de Carmela Gross] é uma obra necessária. Consciente do momento que o circuito artístico atravessa em nosso país, a artista põe o dedo na ferida. Graças ao seu teor crítico, ela participa da Bienal de São Paulo, mas o faz sinalizando os perigos que vêm através de um surpreendente processo de espetacularização da cultura. Hotel alerta para que, se esse processo for tomado como natural e irreversível, a arte será tratada como um artigo de consumo rápido, com a obsolescência programada dos artigos lardeados pela indústria publicitária".

FARIAS, Agnaldo. "Hotel das estrelas". In 25ª Bienal de São Paulo – Brasil. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2002, p.24 (catálogo de exposição)

"Considerando que esse tema, conforme nos apressa a defender o autor da ideia, tem a densidade de um Aleph, a antológica construção de Jorge Luis Borges, "um minúsculo ponto no espaço que contém todos os pontos de um cosmo inconcebível", considerando ainda que a produção artística chamada, a propósito, de metrópole contemporânea não se limita a ser uma mera ilustração sua, mas, ao contrário, reage num leque irisado de proposições à infinidade de estímulos provenientes desse território multifacetado e, por último, considerando ao caráter urgente e verdadeiramente trág ico que essa questão assume no Brasil, esse é um tema imperativo".

FARIAS, Agnaldo. "Hotel das estrelas". In 25ª Bienal de São Paulo – Brasil. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2002, p.24 (catálogo de exposição)