O tema "Como viver junto" – título de um conjunto de seminários proferidos por Roland Barthes nos anos 1970, norteou a curadoria de Lisette Lagnado para a 27ª Bienal. A edição foi marcada pela extinção das representações nacionais – a seleção de artistas ficou a cargo dos curadores das Bienais – e pela afirmação da arte como linguagem transnacional. Inovação fundamental para exposição, os projetos curatoriais passaram a ser escolhidos a partir de processos de seleção realizado por um comissão internacional de críticos e curadores.

Presidente da Bienal: Manoel Francisco Pires da Costa
Curadora-geral: Lisette Lagnado
Cocuradores: Adriano Pedrosa, Cristina Freire, José Roca, Rosa Martínez
Curador c0nvidado: Jochen Volz

fotos

Marcelo Cidade, 'Escada Parasita' © Ding Musa
Wang Youshen, 'Darkroom – São Paulo' [Câmara escura-São Paulo] © Juan Guerra
Vista da 27ª Bienal com as obras de Wang Youshen, 'Washing - Urgent request 3' [Lavagem-Pedido urgente 3], 'Washing - Urgent request 6' [Lavagem-Pedido urgente 6], 'Washing - Part 1-06' [Lavagem-Parte 1-06], 'Washing - Part 1-18' [Lavagem-Parte 1-18], 'Washing - Part 2-16' [Lavagem-Parte 2-16], 'Washing - Part 2-21' [Lavagem-Parte 2-21], 'Washing - Sounding board 1' [Lavagem-Prancha acústica 1] © Juan Guerra
Dominique Gonzales-Foerster, 'Double terrain de jeu (pavillon-marquise)' [Playground duplo (pavilhão-marquise)] © Juan Guerra
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"[...] Mas, em estado bruto, o Viver-Junto é também temporal, e é necessário marcar aqui esta casa: "viver ao mesmo tempo em que...", "viver no mesmo tempo em que..." = a contemporaneidade. Por exemplo, posso dizer, sem mentir, que Marx, Mallarmé, Nietzsche e Freud viveram vinte e sete anos juntos. Ainda mais, teria sido possível reuni-los em alguma cidade da Suíça em 1876, por exemplo, e eles teriam podido - último índice do Viver-Junto - "conversar". Freud tinha então vinte anos, Nietzsche trinta e dois, Mallarmé trinta e quatro e Marx cinquenta e seis. (Poderíamos nos perguntar qual é, agora, o mais velho). Essa fantasia da concomitância visa a alertar sobre um fenômeno muito complexo, pouco estudados, parece-me: a contemporaneidade. De quem sou contemporâneo? Com quem é que eu vivo?"

BARTHES, Roland. "Fantasia". In LAGNADO, Lisette e PEDROSA, Adriano (orgs.). 27ª Bienal de São Paulo: Como Viver junto. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2006, p.16 (catálogo de exposição)

"A interrogação "como", inserida no "viver junto", invadiu a 27ª Bienal, com a guerra entre Israel e o grupo Hizbollah ("Partido de Deus"), interrompendo o ritmo de trabalho dos artistas libaneses convidados. Sem representação nacional, o continente mais dificil de ser desbravado foi a África. Esta deve ter sido a primeira vez que uma Bienal de São Paulo enfrentou o caos humanitário do Congo. A colonização do continente africano recoloca em perspectiva o passado escravocrata do Brasil e, nesse sentido, a poderosa instalação de Jane Alexander, Security [Segurança], foi escolhida para fornecer o statement curatorial da mostra logo na entrada do Pavilhão. O resultado desta Bienal sem representações nacionais trouxe à tona questões relativas à diferença entre pátria e terra, nacionalidade e exílio, casa e abrigo.".

LAGNADO, Lisette. "No amor e na adversidade". In LAGNADO, Lisette e PEDROSA, Adriano (orgs.). 27ª Bienal de São Paulo: Como Viver junto. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2006, p.54 (catálogo de exposição)

"A primeira novidade da 27ª Bienal de São Paulo, intitulada “Como viver junto”, é o fim do segmento tradicional das representações nacionais. Essa mudança exprime a sua atualização e o seu vigor num mundo globalizado, onde a arte rompe fronteiras e continua a propor uma leitura crítica dos acontecimentos contemporâneos".

GIL, Gilberto. "Apresentação". In LAGNADO, Lisette e PEDROSA, Adriano (orgs.). 27ª Bienal de São Paulo: Como Viver junto. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2006, p.54 (catálogo de exposição)