Momento de repensar rumos e funções do evento, a 28ª Bienal – "Em vivo contato" realiza uma proposta radical ao manter o 2ª andar do pavilhão vazio, como uma Planta Livre, uma metáfora da crise conceitual atravessada pelos sistemas expositivos tradicionais e enfrentada pelas instituições que as organizam. Acontecimento marcante naquela edição foi a pichação do guarda-corpo no pavilhão, que germinou uma discussão sobre o tema no meio artístico sobre arte urbana.

Presidente da Bienal: Manoel Francisco Pires da Costa
Curador-geral: Ivo Mesquita
Curadora-adjunta: Ana Paula Cohen
Curador do Vídeo Lounge: Wagner Morales
Coordenadora-geral das conferências: Luísa Duarte

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Vão central da 28ª Bienal, com vista para a planta livre © Amilcar Packer
Carsten Höller, 'Valerio Sisters' © Amilcar Packer
Maurício Ianês, 'A bondade de estranhos' © Amilcar Packer
Atividade educativa durante a 28ª Bienal © Amilcar Packer
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"É ali, no território do suposto vazio, que a intuição e a razão encontram solo propício para fazer emergir as potências da invenção, abrindo múltiplas possibilidades para ser cruzado. Faz um corte, suspendendo o processo voraz de produção e consumo de representações, para problematizar o possível esgotamento dos diversos discursos no território da instituição. O corte aqui quer aguçar a crise da organização, do modelo, do sistema, e não recalcá-los com mais uma exposição".

AGUILAR, Nelson; MESQUITA, Ivo. "É positiva a proposta para a 28ª Bienal de SP, que prevê, entre outras coisas, um andar vazio?". Folha de S. Paulo, 01 dez. 2007. In 30 x bienal: transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição. Curadoria de Paulo Venâncio Filho. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2013, p.193

“A proposta para a 28ª BSP é suspender a mecânica das sucessivas bienais desde 1951 para considerar o descompasso entre o modelo atual da mostra e a realidade em que ela se inscreve, seja local, seja internacionalmente. Um processo de análise da sua condição presente poderá apontar perspectivas para uma nova etapa do seu programa diante dos desafios do século 21. O objetivo é colocar a Bienal de São Paulo novamente “em vivo contato” com a sua história, a sua cidade, os seus pares e o seu tempo. O meu compromisso, e o do projeto, é com a instituição e o valioso serviço que ela tem prestado à cidade, ao país e à arte contemporânea".

AGUILAR, Nelson; MESQUITA, Ivo. "É positiva a proposta para a 28ª Bienal de SP, que prevê, entre outras coisas, um andar vazio?". Folha de S. Paulo, 01 dez. 2007. In 30 x bienal: transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição. Curadoria de Paulo Venâncio Filho. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2013, p.193

"Durante 12 dias, o Pavilhão da Bienal terá um morador em tempo integral: o artista Maurício Ianês, nascido em Santos há 35 anos. Nu, sem comida, bebida nem qualquer outro pertence, ele entrará no prédio em 4 de novembro e ficará até o dia 16 totalmente sob 'A bondade de estranhos', nome da performance pensada para a 28ª Bienal. A cada dia, Ianês escolherá um ponto diferente do prédio para aguardar que o público se manifeste, doe algo, estabeleça alguma relação. Ele também passará as noites no Pavilhão, para não interromper a performance. 'Procurei pensar num trabalho absolutamente despido de qualquer artifício, que se afastasse do teatral e do espetacular, em que a única coisa que restasse fosse a minha presença e a relação crua com o público, do modo menos mediado possível, apesar de o ambiente da Bienal já criar um contexto representativo que media as relações".

BARTA, Isabela Andersen. "Novo Morador". In REZENDE, Marcelo (org). Jornal 28b. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2008, p.13 (publicação de exposição)