Com público de aproximadamente 900 mil visitantes, maior visitação da última década, a edição sob a curadoria de Jochen Volz procurou enfocar noções de “incerteza” a fim de refletir sobre as condições atuais da vida e as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para habitá-la. O aquecimento global, a perda da diversidade biológica e cultural, a crescente instabilidade econômica e política, a injustiça na distribuição dos recursos naturais da Terra foram questões em discussão. Mulheres e artistas nascidos após 1970 formaram mais da metade dos artistas selecionados. Uma pista de skate, uma oca para conversas e rituais e um restaurante de comida orgânica estiveram entre as obras da exposição.

Presidente da Bienal: Luis Terepins
Curador: Jochen Volz
Cocuradores: Gabi Ngcobo, Júlia Rebouças, Lars Bang Larsen e Sofía Olascoaga

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Visitação à 32ª Bienal. À esquerda, instalação de Ruth Ewan, 'Back to the Fields'. À direita, Jonathas de Andrade, 'O Peixe' © Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo
Dalton Paula, 'Rota do Tabaco' © Leo Eloy / Fundação Bienal de São Paulo
Vista parcial da 32ª Bienal com obras de Francis Alÿs, 'In a Given Situation'; e Pia Lindman, 'Nose Ears Eyes' © Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo
Jorge Menna Barreto, 'Restauro' © Leo Eloy / Fundação Bienal de São Paulo
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"A noção de incerteza faz parte do repertório de muitas disciplinas – da matemática à astronomia, passando pela lingüística, biologia, sociologia, antropologia, história ou educação. Diferentemente do que acontece em outros campos, no entanto, a incerteza na arte aponta para a desordem, levando em conta a ambiguidade e a contradição. A arte se alimenta da incerteza, da chance, do improviso, da especulação e ao mesmo tempo tenta contar o incontável ou mensurar o imensurável. Ela dá espaço para o erro, para a dúvida e até para os fantasmas e receios mais profundos de cada um de nós, mas sem manipulá-los. Não seria o caso, então, de fazer com que os vários modos de pensar e de fazer da arte pudessem ser aplicados a outros campos da vida pública?".

VOLZ, Jochen. "Incerteza Viva é o título da 32ª Bienal". Portal Bienal, 08 dez. 2015. Disponível no link

"Mesmo ao abordar questões dramáticas como o racismo, catástrofes ambientais ou genocídio indígena, esta é uma Bienal silenciosa, que se percebe em atitudes discretas. (...) Quando pessoas celebram publicamente que uma jovem que perde um olho por violência policial deveria perder o outro, obras como "O Peixe" ganham poder de manifesto: não há vítima que não mereça solidariedade. A necessidade do respeito se amplia na obra "Espelho de Som", de Eduardo Navarro, composta por um instrumento que sai do pavilhão para chegar até a copa de uma palmeira, apontando para a necessidade de escuta da natureza. Assim, "Incerteza viva" constitui-se como uma mostra que evita o espetáculo ao tratar da barbárie"

CYPRIANO, Fabio. "Bienal de São Paulo aborda barbárie com obras sutis". Folha de S. Paulo, Ilustrada, 07 set. 2016

"As Bienais agora recebem a tarefa impossível de fazer sentido não só na arte contemporânea, mas também na história contemporânea, na política, na filosofia, na economia, no meio ambiente e além - permanecendo sensível à cultura local e consciente dos desenvolvimentos globais. Com alta ordem, 'Incerteza Viva' faz um ato admirável de equilíbrio, defendendo a vitalidade do conhecimento e experiência indígena, e da sabedoria extraída das pessoas que habitaram este hemisfério muito antes dos europeus chegarem. Dado o atual clima de incerteza no Brasil, isso é mais do que um pouco de bom senso".

SCHWENDENEROCT, Martha. "Uncertainty in Brazil, Vitality in Its Art". The New York Times, Art & Design, Critic's Notebook, 11 out. 2016. Disponível no link

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17 2016
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