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Em setembro de 1987, um catador de sucata em Goiânia encontrou uma máquina de raio X abandonada em um terreno baldio na rua 57 do Bairro Popular. Quando abriu parte da máquina, encontrou uma cápsula de césio 137, substância altamente radioativa usada para fins terapêuticos e que deveria ter sido descartada profissionalmente, e não jogada no lixo comum. Ignorando suas propriedades letais, o catador ficou fascinado com a substância, que brilhava no escuro, e a levou para casa, onde a mulher e a filha brincaram com ela. Em 24 horas, diversas pessoas adoeceram gravemente. Assim que a causa foi identificada, foi declarado estado de emergência nuclear em Goiânia, o mais grave depois de Chernobyl. A cidade inteira ficou em quarentena. O artista Siron Franco, que cresceu a poucos quarteirões do local do acidente, voltou a Goiânia na época e começou a produzir uma série de desenhos para registrar as imagens chocantes do desastre. Uma seleção de obras dessa série, chamada Rua 57, está exposta nesta sala, ao lado das pinturas que o artista fez em homenagem às quatro primeiras vítimas da catástrofe e de uma seleção de materiais da imprensa da época. Naquela ocasião, Siron Franco era um dos mais bem-sucedidos jovens artistas brasileiros. A série Césio marcou uma mudança dramática em sua linguagem e em seu comprometimento político com as realidades do Brasil contemporâneo e representa uma grande afirmação do potencial da arte para registrar e comentar tragédias humanas e sociais. [GPB]