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Home Notícias Fundação Bienal de São Paulo anuncia Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo

28 abr 2026

Fundação Bienal de São Paulo anuncia Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo

Retrato de Amanda Carneiro e Raphael Fonsceca, curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo - © Fe Avila / Fundação Bienal de São Paulo

Com trajetórias construídas entre o Brasil e os principais eventos e instituições de arte do mundo, a dupla assume a curadoria da edição prevista para 2027 no Pavilhão Ciccillo Matarazzo.

A Fundação Bienal de São Paulo anuncia Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo. Com edição prevista para 2027, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, a Bienal de São Paulo configura-se como o maior evento de artes visuais da América Latina e um dos três mais importantes do mundo, ao lado da Bienal de Veneza e da documenta de Kassel.

Ao longo das últimas edições, a Fundação Bienal de São Paulo tem apostado em e experimentado diferentes modelos curatoriais, que vão de curadores-chefes internacionais a estruturas coletivas sem hierarquia definida, configurando uma alternância deliberada entre perspectivas externas e vozes enraizadas no Brasil. Nesse contexto, a nomeação de Amanda Carneiro e Raphael Fonseca assinala um reencontro da instituição com uma tradição curatorial marcadamente brasileira, ao mesmo tempo em que projeta essa tradição em diálogo com debates contemporâneos e circuitos internacionais.

“Tenho sido profundamente marcada pelas práticas artísticas, debates e encontros que a Bienal de São Paulo torna possíveis. Estou honrada com esta nomeação como curadora-chefe e tocada pela possibilidade de desenvolver esta edição em São Paulo, cidade que também é a minha. Tenho também grande satisfação em realizar este trabalho em parceria com Raphael Fonseca, amigo e colaborador de longa data, e com uma equipe curatorial cujos interesses de pesquisa estão à altura da escala e da complexidade de uma das mais importantes plataformas para a arte contemporânea. Assumir este projeto é, ao mesmo tempo, uma alegria, um desafio e uma responsabilidade. Estou animada para trabalhar com artistas no desenvolvimento dos projetos, questões e formas de engajamento que darão forma a esta edição, e para colaborar de perto com a equipe da Bienal ao longo de todo o processo. Por esta oportunidade única, sou grata à presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Andrea Pinheiro, bem como ao Conselho da instituição”, afirma Amanda Carneiro.

“A primeira vez que viajei do Rio de Janeiro a São Paulo foi em 2006, justamente para ver pela primeira vez uma bienal de artes visuais, a 27ª Bienal de São Paulo”, relembra Raphael Fonseca. “Poder estar no cargo de curador-chefe vinte anos após esse primeiro encontro com o formato bienal é algo que ultrapassa qualquer uma das minhas expectativas e me deixa, francamente, sem palavras. Além disso, poder trabalhar em um projeto desta escala com Amanda Carneiro – alguém com quem já colaborei diversas vezes e que, mais do que uma cocuradora, é parte da minha família de afetos – me deixa ainda mais estimulado. Mal posso esperar para começarmos a solidificar nossas ideias junto à nossa equipe curatorial, aos artistas e às diversas equipes de profissionais que integram a Fundação Bienal de São Paulo. Sou muito grato pela confiança e pela oportunidade concedidas pela presidência da instituição e por seu Conselho”, celebra.

“A Bienal de São Paulo tem mais de setenta anos de história e, ao longo desse tempo, passou por transformações profundas na forma como pensa a curadoria, o público e o seu papel no mundo”, analisa Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo. “A escolha de Amanda Carneiro e Raphael Fonseca para a 37ª edição é parte dessa história em movimento. Pela segunda vez, dois curadores brasileiros assumem, juntos e em paridade, a liderança artística de uma edição. É uma decisão que nasce de um processo de seleção criterioso, coletivo e de uma convicção clara: de que existe, no Brasil, uma geração curatorial com o talento, a experiência e a visão necessários para manter a Bienal de São Paulo no centro do debate artístico do nosso tempo”, afirma.

 

Sobre o processo seletivo

Pela segunda vez, a designação da curadoria da Bienal de São Paulo foi conduzida por um comitê de seleção curatorial liderado pela presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Andrea Pinheiro. Ele foi composto por sua vice-presidente Maguy Etlin, pelos conselheiros José Olympio da Veiga Pereira, Ligia Fonseca Ferreira, Marcelo Mattos Araujo e Susana Leirner Steinbruch, além de Pamela J. Joyner, do Conselho Consultivo Internacional, com secretariado do superintendente executivo Antonio Lessa. O processo colegiado considerou critérios como consistência intelectual da proposta, relevância e complementaridade das trajetórias curatoriais, capacidade de articulação com o contexto local e com o circuito internacional, e alinhamento com a missão e os valores da Fundação Bienal de São Paulo.

A 37ª Bienal de São Paulo está programada para ocorrer no segundo semestre de 2027, e o projeto curatorial de Carneiro e Fonseca será apresentado no segundo semestre deste ano.

 

Sobre os curadores

Amanda Carneiro nasceu em São Paulo, onde vive atualmente. É curadora do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP desde 2018. Foi organizadora artística da 60ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza (2024) – Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere. No MASP, Carneiro curou uma ampla gama de exposições dedicadas à arte moderna e contemporânea, muitas realizadas em parceria com instituições nacionais e internacionais, como The Whitworth, American Folk Art Museum, Museo Universitario del Chopo e Itaú Cultural. Entre seus projetos estão as mostras monográficas de Santiago Yahuarcani (2026); Hulda Guzmán (2025); Serigrafistas Queer (2024); Kang Seung Lee (2024); Beatriz Milhazes (2020-2021); Leonor Antunes (2019) e Sonia Gomes (2018). Também foi co-organizadora de exposições que recuperaram artistas importantes do século 20, como Abdias Nascimento (2022), Madalena Santos Reinbolt (2022) e Conceição dos Bugres (2021-2022), além de mostras coletivas, como Histórias brasileiras (2022). É graduada, mestre e doutoranda em história social pela Universidade de São Paulo. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre o Segundo Festival Mundial de Artes e Cultura Negra e Africana (FESTAC ’77). Foi coeditora do Afterall Journal, de cujo conselho editorial hoje faz parte, e, antes de ingressar no MASP, trabalhou no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

Raphael Fonseca nasceu no Rio de Janeiro e vive em Lisboa. É curador de artes visuais da Culturgest, com sedes em Lisboa e no Porto, em Portugal. É curador at large de arte moderna e contemporânea latino-americana no Denver Art Museum, nos Estados Unidos. É curador do Pavilhão de Taiwan na 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza (2026). Integra o grupo curatorial da 3ª Counterpublic Triennial (2026) e é um dos cocuradores do festival Sequences, em Reykjavík, na Islândia (2027). Foi curador-chefe da 14ª Bienal do Mercosul (2025), cocurador da 22ª Bienal SESC_Videobrasil (2023) e curador da 1ª Bienal do Barro (2014). Como curador, colaborou com instituições como a Galeria Municipal do Porto (Portugal), a Haus der Kunst (Alemanha), o Museu de Arte do Rio, o Framer Framed (Holanda), o Institute of Contemporary Arts Singapore e o Centro Cultural Banco do Brasil. Trabalhou como curador do MAC Niterói entre 2016 e 2020. É doutor em história e crítica da arte pela UERJ, mestre em história da arte pela Unicamp e bacharel em história da arte pela UERJ. Foi professor de artes visuais do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, entre 2010 e 2022.

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