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Home Notícias 36ª Bienal de São Paulo encerra edição marcada pela expansão de formatos, territórios e formas de encontro

10 jan 2026

36ª Bienal de São Paulo encerra edição marcada pela expansão de formatos, territórios e formas de encontro

Obra de Tanka Fonta na 36ª Bienal de São Paulo - © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Ao longo de quatro meses, edição reuniu programação pública intensa e experiências de longa duração.

Com conceito criado pelo curador geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em parceria com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza, a cocuradora at large Keyna Eleison, a consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus, além dos cocuradores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei, a 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática se inspira no poema “Da calma e do silêncio” da escritora Conceição Evaristo e se encerra neste domingo, 11 de janeiro.

“A 36ª Bienal de São Paulo foi uma oferta e um exercício de generosidade, gratidão e prática coletiva. Em vez de afirmar uma narrativa única, buscamos criar condições para que múltiplas vozes, tempos e experiências coexistissem sem hierarquias. As Invocações, os Afluentes, as Conjugações e os demais programas públicos mostram que a exposição não acontece apenas no espaço expositivo, mas nas relações que se constroem entre pessoas, lugares e saberes. Mas, acima de tudo, ousamos fazer uma exposição que coloca o amor e a humanidade no cerne, em uma época de extrema desumanização”, analisa Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, curador geral desta edição.

O compromisso com o acesso democrático à arte orientou boa parte das escolhas institucionais desta edição, da concepção da mostra aos programas públicos e educativos. Para Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, esse trabalho reforça o papel histórico da instituição. “A 36ª Bienal foi pensada para acolher diferentes públicos, ritmos e formas de estar na exposição, consolidando nosso compromisso com o acesso democrático à arte. Ser uma Bienal gratuita e uma das maiores do mundo implica permitir que pessoas de diferentes lugares possam transitar por esse espaço, construir relações com a arte contemporânea e se reconhecer nela”, afirma.

Ao todo, a edição reuniu 120 participações artísticas no Pavilhão da Bienal e cinco participações na Casa do Povo, como parte de um programa com curadoria de Benjamin Seroussi e Daniel Blanga-Gubbay.

 

Invocações

A foto mostra duas pessoas falando e um público assistindo.
Leitura performática sobre ficção e representação da origem por Laila Hida com Mourad Belouadi em LE 18 © Youssef Boumbarek / Fundação Bienal de São Paulo

Antes mesmo da abertura da exposição, a Bienal tomou forma por meio das Invocações, encontros curatoriais realizados em Marrakech, Guadalupe, Zanzibar e Tóquio. Esses encontros reuniram artistas, pensadores e agentes culturais, aprofundando investigações sobre humanidade, linguagem, espiritualidade, memória e território. As Invocações deram origem aos quatro volumes da publicação educativa, que passaram a orientar o projeto pedagógico da edição. Assista a vídeos das atividades no canal de YouTube da Fundação Bienal.

 

Programação pública

Foto de pessoas num teatro com orquestra tocando ao fundo.
Apresentação do concerto Philosophies of Being, Perception, and Expressivity of Being, obra do artista Tanka Fonta, executado pela Orquestra do Theatro São Pedro sob regência do maestro Carlos Moreno, realizada no Theatro São Pedro como parte da programação pública da 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

Durante os quatro meses de exposição, de 6 de setembro de 2025 a 11 de janeiro de 2026, a 36ª Bienal de São Paulo realizou diversas atividades, entre performances, conversas, leituras, sessões de cinema, encontros formativos, shows e ações interdisciplinares. Essas atividades transformaram o Pavilhão da Bienal em um espaço de permanência e convivência, estimulando percursos prolongados e múltiplas formas de participação do público ao longo do tempo.

Com a abertura da exposição, iniciou-se, também, o programa Conjugações, uma série de debates, encontros, performances e ativações realizadas ao longo dos quatro meses da mostra, em colaboração com instituições culturais de diferentes partes do mundo. O programa explorou como essas 15 organizações, situadas em diversas partes do globo, conjugam a noção de humanidade a partir de suas práticas cotidianas. Cada instituição convidada realizou um encontro em São Paulo, reunindo artistas, pensadores e públicos diversos, ativando conexões globais no contexto local do Pavilhão da Bienal e ampliando o entendimento da exposição como espaço de escuta, troca e articulação internacional. Assista a vídeos das atividades no canal de YouTube da Fundação Bienal.

Entre os destaques da programação pública esteve o Festival Bienal no Mangue, realizado no Pavilhão Ciccillo Matarazzo como um encontro que trouxe para a Bienal a força cultural, política e sonora do movimento manguebeat com shows de BUHR, Maciel Salú, Mundo Livre S/A e discotacagem de Paulete Lindacelva, dialogando diretamente com o conceito curatorial da 36ª Bienal ao afirmar conexões construídas a partir de territórios, deslocamentos e invenção coletiva.

Outro momento marcante foi a apresentação do concerto Filosofias do ser, da percepção e da expressividade do ser, criação do filósofo, artista e compositor Tanka Fonta, executado pela Orquestra do Theatro São Pedro, sob regência do maestro Carlos Moreno. A apresentação expandiu a dimensão sonora do trabalho homônimo apresentado por Fonta, transformando a instalação em uma experiência orquestral histórica.

A programação ainda se expandiu por meio dos Afluentes, desenvolvidos em parceria com instituições culturais no Brasil e no exterior. Na Casa do Povo, a Bienal apresentou performances e ações de Alexandre Paulikevitch, Boxe Autônomo, Dorothée Munyaneza, Marcelo Evelin e do MEXA, além de fotografias de Akinbode Akinbiyi. As ações realizadas nesta instituição parceira são exemplos dessa expansão, acolhendo atividades que dialogam de forma direta com os temas curatoriais da edição e ampliaram a presença da Bienal para além de seus limites físicos.

No âmbito da Temporada França–Brasil, a 36ª Bienal de São Paulo realizou o programa Fluxo de imagens / Imaginários como parte dos Afluentes, iniciativa que amplia o alcance da mostra por meio de parcerias institucionais. Desenvolvido em colaboração com a Cinémathèque Afrique, o programa partiu dos vínculos históricos entre Brasil, Caribe francês e países da África Ocidental para promover diálogos entre obras contemporâneas do continente africano, filmes históricos de seu acervo e produções de artistas do Brasil e do Caribe. Organizado em blocos curatoriais, o programa combinou exibições, conversas e performances, explorando a circulação de imagens e imaginários em sintonia com os temas centrais da 36ª Bienal. Os quatro programas temáticos foram apresentados no auditório do Pavilhão alternadamente aos domingos. O programa de filmes foi também exibido na La Friche la Belle de Mai, em Marselha.



Publicações

Foto de livros empilhados com a lombada virada para a frente, escrito 36ª Bienal de São Paulo nelas.
Publicações da 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

O projeto editorial da 36ª Bienal de São Paulo teve papel central e ganhou, nesta edição, uma dimensão inédita, com doze publicações. Pela primeira vez, a Fundação Bienal de São Paulo realizou a distribuição internacional de suas publicações educativas, em parceria com o Center for Art, Research and Alliances (CARA), ampliando o alcance do projeto pedagógico da Bienal para um público global. A série, composta por quatro volumes com uma tiragem global de 14.400 exemplares, corresponde a cada uma das Invocações realizadas nos meses que antecederam a exposição: Marrakech, Guadalupe, Zanzibar e Tóquio, e reflete sobre os contextos locais e as especificidades de cada um desses territórios. Complementam as publicações o catálogo da exposição, com tiragem de 6.500 exemplares, e uma coletânea que traz, por meio de ensaios e poesia, as bases conceituais da edição, com 4.000 cópias – todas com versões em português e inglês disponíveis para leitura e download de forma inteiramente gratuita no site da mostra e no portal da instituição, assim como as publicações das edições passadas.

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