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28 jun 2022

Fundação Bienal promove curso gratuito a distância

Documentação sobre a representação nacional haitiana na 4ª Bienal de São Paulo (1957). Artista: Wilson Bigaud. Obra: Paraíso terrestre © Autor não identificado
Documentação sobre a representação nacional haitiana na 4ª Bienal de São Paulo (1957). Artista: Wilson Bigaud. Obra: Paraíso terrestre © Autor não identificado

Entre 14 de julho e 18 de agosto, o público da Bienal pode participar gratuitamente do curso a distância Modernismos africanos e afro-diaspóricos na Bienal de São Paulo, composto por seis encontros online, sempre às quintas, das 19h às 21h. Será emitido certificado para quem participar de ao menos cinco encontros.

As discussões partirão de análises sobre o espaço que ocuparam os artistas envolvidos em projetos modernistas de contextos africanos e seus territórios de diáspora, nas seis Bienais organizadas pelo Museu de Arte Moderna (MAM), entre 1951 e 1961.

Para entender como se deu a formação de uma arte de origem africana que rompe com as produções anteriores, os encontros serão conduzidos pelos docentes Luciara Ribeiro e Bruno Pinheiro. Luciara é educadora, pesquisadora e curadora. É mestra em história da arte pela Universidade de Salamanca e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo e docente no Departamento de Artes da Faculdade Santa Marcelina. Bruno Pinheiro, mestre em estética e história da arte pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) e doutorando em história pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Veja abaixo o programa do curso. Inscrições encerradas.

Aula 1, 14/07 – A Bienal de 1951 no contexto do Pós-guerra: rearticulações e crítica racial

O primeiro encontro do curso se dedica a traçar um panorama das grandes mudanças do mundo da arte no Pós-guerra, contextualizando a criação da Bienal de São Paulo, em 1951. Além de observar os personagens da elite paulistana e do setor artístico da época, é importante identificar de que forma artistas negros brasileiros se relacionavam com as transformações em espaços institucionais das artes, buscando entender em que medida suas trajetórias nos ajudam a entender a construção de narrativas contra-hegemônicas centradas no combate ao racismo.

Aula 2, 21/07 – O modernismo no Haiti e sua internacionalização até a Bienal de São Paulo

A segunda aula parte de três marcos da história do Haiti – a criação do Centre d’Art em 1944, os festejos do bicentenário da cidade de Porto Príncipe em 1949 e a criação do Foyer des Arts Plastiques em 1950 – para debater a internacionalização da produção artística do país. Será analisada a presença das obras de Philomé Obin, Hector Hippolyte e Wilson Bigaud nas Bienais de São Paulo, sua relação com a reelaboração das narrativas de emancipação negra no Haiti, e seus tensionamentos frente a presença de organismos internacionais naquele país.

Aula 3, 28/07 – Modernistas negros nos Estados Unidos entre o New Deal e o Pós-guerra

Na terceira aula, será analisada a circulação de artistas negros e negras nas instituições de arte dos Estados Unidos ao longo das décadas de 1930 e 1940. A produção dos modernismos negros norte-americanos será tratada em diálogo com projetos políticos locais de emancipação negra e com as formas de profissionalização disponíveis no período. Nesse debate, trajetórias de artistas como Aaron Douglas, Augusta Savage, Jacob Lawrence e Elizabeth Catlett serão centrais, assim como a circulação de suas obras em instituições nacionais e internacionais, como a Bienal de São Paulo.

Aula 4, 04/08 – A Bienal de São Paulo e as tensões políticas do Sul Global

A aula se dedica à análise das seis primeiras edições da Bienal considerando a relação de artistas de diferentes representações nacionais com projetos transnacionais de poder em disputa naquele período. Desse modo, a participação de artistas do Brasil, Haiti e Estados Unidos serão analisados à luz do Pan-Americanismo e do Internacionalismo Negro, e as representações de países africanos, sob a perspectiva das compreensões da internacionalização das artes posta à elas.  

Aula 5, 11/08 – Egito e África do Sul: centros dos modernismos africanos na década de 1950

Os dois países africanos foram pioneiros na Bienal de São Paulo, convidados desde a primeira edição e efetivando suas presenças a partir da II Bienal, no caso do Egito, e da IV Bienal, no caso da África do Sul – os únicos países africanos participantes até a VI Bienal. Tal relação não foi simples coincidência, mas implicada por semelhanças nos desenvolvimentos de seus processos artísticos, coloniais, políticos e raciais comparados aos demais países do continente africano. Nesta aula serão apresentados tais aspectos e as disputas implicadas nos mesmos.

Aula 6, 18/08 – Entre o nacional e o continental: qual o lugar das artes e artistas africanos em uma Bienal Moderna

O último encontro será dedicado a refletir sobre as compreensões dedicadas às artes africanas dentro da Bienal de São Paulo e do sistema das artes brasileiras do período, permeadas tanto por leituras da antropologia de cunho colonialista – que classificavam as artes africanas como “primitivistas”, definida por aspectos racialistas e de cunho reducionista – quanto por desejos enquadrados em conceitos modernistas, marcados por entradas no sistemas artístico, educacional, expositivo e de circulação por via de normativas eurocentradas de relação e valorização. 

Serviço:
Curso Modernismos africanos e afro-diaspóricos
de 14 de julho a 18 de agosto
Carga horária: 12h
80 vagas (inscrições encerradas)
Online, através da plataforma Zoom
Gratuito

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