O Centro Cultural Lá da Favelinha se localiza na Vila Novo São Lucas, Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, Minas Gerais, uma das maiores metrópoles do Brasil. É uma iniciativa independente e sem fins lucrativos que oferece oficinas de vários tipos, incluindo dança, música, poesia e outros, além de uma biblioteca comunitária. O espaço para o centro era um edifício existente construído em um lote exíguo, de menos de 80m², uma situação comum nas favelas brasileiras. Essa edificação não se diferenciava em nada das demais edificações do contexto da favela e não enunciava publicamente a importância do trabalho comunitário e cultural ali realizado.
O encapsulamento foi realizado por meio da aplicação de pórticos de forte cor vermelha que partem da fachada do 2º pavimento e dobram-se para dentro da edificação, transformando-se na cobertura do 3º pavimento, um espaço aberto generoso e totalmente envolto pelas vigas coloridas. Os pórticos são feitos de uma estrutura metálica muito esbelta, recoberta por uma tela vermelha, demonstrando que a cápsula pode ser criada com diversos materiais, mesmo aqueles pouco convencionais e de baixo custo. A estratégia do encapsulamento dessa edificação operou para dar unidade interna e destaque externo para o centro cultural, demarcando para a comunidade sua importância coletiva e criando um potente invólucro identitário para a antiga edificação.
Centro Cultural Lá da Favelinha
Coletivo LEVANTE
Belo Horizonte – MG, 2021
Desenho: Jessica Duarte
Essa é uma das estratégias apresentadas no segundo ato da exposição (RE)INVENÇÃO, com curadoria de Luciana Saboia, Matheus Seco e Eder Alencar, do grupo Plano Coletivo, que ocupa o Pavilhão do Brasil durante a 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia. Para conferir todas as estratégias, confira a publicação digital da mostra.