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Home Notícias Pavilhão do Brasil na Biennale Architettura 2025: (RE)INVENÇÃO

19 fev 2025

Pavilhão do Brasil na Biennale Architettura 2025: (RE)INVENÇÃO

Geoglifos encontrados no estado do Acre, Brasil, 2022 - Diego Gurgel / © cortesia do fotógrafo

Sob a curadoria de Luciana Saboia, Eder Alencar e Matheus Seco, do grupo Plano Coletivo, exposição no Pavilhão do Brasil explora a relação entre natureza e contemporaneidade

 

Anunciamos o título e conceito da participação brasileira na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia, com a exposição (RE)INVENÇÃO, que ocupará o Pavilhão do Brasil entre 10 de maio e 23 de novembro de 2025, em uma realização com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores. Com curadoria da arquiteta Luciana Saboia e dos arquitetos Matheus Seco e Eder Alencar, do grupo Plano Coletivo, o projeto parte de uma reflexão sobre as recentes descobertas arqueológicas de infraestruturas ancestrais do território amazônico para considerar as contradições e questionar condições socioambientais da cidade contemporânea.

Representada em dois atos, (RE)INVENÇÃO constrói uma narrativa que atravessa tempos e territórios. No primeiro ato, a exposição revela como, há mais de 10 mil anos, os povos indígenas moldaram as paisagens ao seu redor, criando infraestruturas sofisticadas que integravam conhecimento técnico e estratégias de adaptação ao meio ambiente.

Para Matheus Seco, a palavra “equilíbrio” é fundamental para entendermos o sentido geral da proposta curatorial. “Hoje, sabemos que os povos ancestrais da Amazônia se organizavam em populações muito maiores do que se imaginava anteriormente. As florestas da região são, em grande parte, resultado direto da ação humana, fruto de uma ocupação equilibrada e do manejo cuidadoso da vegetação, em contraste com o modelo predominante na Amazônia atualmente, que com frequência reduz a paisagem a um cenário de devastação.”

 

Jardim de Sequeiro, Instituto Central de Ciências, Universidade de Brasília, Brasil, 2023, Julio Pastore / © cortesia do fotógrafo

 

O segundo ato desloca o foco para o Brasil contemporâneo, explorando as nuances das relações entre arquitetura e infraestrutura, assim como as possibilidades de ressignificação da cidade a partir de uma curadoria de pesquisas, processos e práticas em arquitetura. Dessa forma, foca-se o olhar para a possibilidade de reconhecimento e valorização de estratégias e operações projetuais “encapsuladas” na engenhosa produção existente, herdada e apropriada. 

A Plataforma-Jardim, uma das estratégias na exposição, retrata como uma estrutura linear com jardim em toda a sua extensão, que anteriormente necessitava de constante irrigação, foi substituída por espécies nativas ou adaptadas à temporalidade do Brasil Central. O jardim naturalista de flores, capins e plantas savânicas nasce, cresce, floresce e seca acompanhando a sazonalidade do bioma do Planalto Central em uma grande plataforma existente de estrutura pré-moldada em concreto protendido. Seguindo essa lógica, outras estratégias são expostas como ações projetuais inventivas que se apropriam do existente, criam identidades e fazem do espaço construído uma oportunidade para se reinventar como realidade.

 

Estudos de pesos e contrapesos, 2025, Plano Coletivo / © cortesia Fundação Bienal de São Paulo

 

“Propomos um entendimento de infraestrutura que vai além de sua dimensão física e utilitária, considerando também seu caráter simbólico e social. Na curadoria, destacamos estratégias de projeto que possibilitam múltiplos usos e adaptações ao contexto, buscando transcender a análise de casos específicos para refletir sobre soluções aplicáveis a diferentes realidades”, aponta Eder Alencar.

O espaço da exposição foi projetado pela equipe curatorial a partir de elementos mínimos que se utilizam da estrutura do Pavilhão do Brasil como suporte para reconfigurar seus espaços internos. Na primeira sala, todos os elementos da instalação se apoiam no chão. Na segunda, a instalação é construída a partir do equilíbrio de painéis de CLT, pedras usadas como contrapesos e cabos de aço que formam um sistema que, percorrido por forças de ação e reação, mantém-se suspenso e estável. Dessa forma, os materiais da instalação podem ser remontados ou reciclados em novas formas de aproveitamento após a exposição.

 

Arrimo Habitado – Restaurante Coati, realizado por Lina Bo Bardi e João Filgueiras Lima, 2014, Joana França © / cortesia da fotógrafa

 

Segundo Luciana Saboia, é importante discutir a arquitetura a partir do entendimento e da valorização de fenômenos naturais e de apropriações sociais: “Trata-se de cartografar ações que constroem nosso legado cultural. Assim como essas populações originárias desenvolveram técnicas refinadas de ocupação e manejo do território, a expografia busca estabelecer um elo entre tradição e invenção, utilizando elementos que dialogam com o meio ambiente e propõem um ciclo sustentável de construção e reúso”, afirma.

Já Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, aponta que o conceito curatorial e o projeto arquitetônico de Saboia, Seco e Alencar trazem uma reflexão fundamental sobre a urgência climática e a necessidade de repensarmos nossa relação com o meio ambiente. “(RE)INVENÇÃO nos convida a aprender com as práticas ancestrais, explorando a simbiose entre humanos, terra e natureza como um caminho para um futuro mais sustentável. A participação do Brasil na Bienal de Veneza, fruto de uma parceria frutífera com o Governo Federal, destaca a importância de estratégias que conciliam um compromisso real com o planeta.”

A mostra dialoga diretamente com o tema geral desta edição, intitulada Intelligens. Natural. Artificial. Collective., proposto pelo curador italiano Carlo Ratti, que convida os países participantes a refletirem sobre a intersecção entre inteligência natural e artificial, compreendendo esses dois eixos como parte de uma esfera expandida que integra arte, engenharia, biologia, ciência de dados, ciências sociais e políticas, ciências dos sistemas planetários e outras disciplinas – ligando cada uma delas à materialidade do espaço urbano. A proposta brasileira responde a essa provocação ao examinar como as diferentes formas de conhecimento – tanto ancestrais quanto contemporâneas – moldam os territórios e as dinâmicas urbanas.


Conheça os curadores do Plano Coletivo

Luciana Saboia é arquiteta formada pela Universidade de Brasília, UnB (1997), doutora em teoria e história da arquitetura e da cidade pela Université Catholique de Louvain, UCLouvain (2009) e pesquisadora visitante no Office for Urbanization da Harvard Graduate School of Design, GSD (2017). É professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU Unb) e pesquisadora com vasta experiência em paisagem e apropriação social. Saboia desenvolve pesquisas focadas nas transformações ambientais e sociais das periferias metropolitanas. Com atuações internacionais, ela propõe novas estratégias para o projeto da paisagem, que refletem sua visão crítica e engajada sobre a arquitetura e o planejamento urbano.

Eder Alencar é arquiteto formado pela Universidade de Brasília, UnB (2010). É sócio-fundador do ARQBR Arquitetos, onde desenvolve um trabalho que combina a relação da arquitetura com o contexto local a um profundo compromisso com a crítica arquitetônica, buscando sempre responder às escalas humanas e paisagísticas de cada projeto. Junto ao ARQBR, possui um histórico de prêmios em concursos públicos de grande relevância. 

Matheus Seco é arquiteto formado pela Universidade de Brasília, UnB (1999), é mestre em architectural design pela Bartlett School of Architecture, UCL, (2004). Sócio-fundador do BLOCO Arquitetos, desenvolve um trabalho que reflete um interesse na relação direta do projeto com condicionantes específicas e respeito pelo contexto local. Junto ao BLOCO, foi premiado em concursos nacionais e internacionais de obras construídas.


Sobre o Plano Coletivo

O Plano Coletivo é um grupo de arquitetos, professores e pesquisadores que possuem interesses e formações diversas e colaboram de forma livre em torno de dois objetivos comuns: discutir o território urbano como narrativa crítica e refletir sobre arquitetura como ação socioambiental. 

Sobre a participação brasileira na 19a Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia
A prerrogativa da Fundação Bienal de São Paulo na realização da representação oficial do Brasil nas bienais de arte e arquitetura de Veneza é fruto de uma parceria de décadas com o Governo Federal, que outorga à Fundação Bienal a responsabilidade pela nomeação da curadoria e pela concepção e produção das mostras em reconhecimento à excelência de seu trabalho no campo artístico-cultural. Organizadas com o intuito de promover a produção artística brasileira no mais tradicional evento de arte do mundo, as exposições ocorrem no Pavilhão do Brasil, projetado por Henrique Mindlin e construído em 1964.


Serviço

Pavilhão do Brasil na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia
Exposição: (RE)INVENÇÃO
Comissária: Andrea Pinheiro, Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Curadoria: Luciana Saboia, Eder Alencar e Matheus Seco [Plano Coletivo]
Colaboradores: André Velloso, Carolina Pescatori, Cauê Capillé, Daniel Mangabeira, Guilherme Lassance, Henrique
Coutinho, Sérgio Marques [Plano Coletivo]
Local: Pavilhão do Brasil
Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália
Data: 10 de maio a 23 de novembro de 2025
Pré-abertura: 8 e 9 de maio

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