As escadarias drenantes foram instaladas em diversas comunidades localizadas em terrenos muito inclinados, alguns com mais de 45º de declividade, na cidade de Salvador. A escadaria drenante é composta por degraus de argamassa armada que operam como calhas com seção em “U” de 50 cm, 70 cm ou 1 m de largura, conectadas por encaixes simples e cobertas por placas-degraus de 1,50 m de largura. Leves, fáceis de transportar e instalar, não exigem mão-de-obra especializada, o que permitiu a participação da população local na instalação.
Complementarmente às escadas drenantes, o sistema também incluiu elementos para formação de canais de drenagem de maior porte. Duas peças de argamassa armada, uma para as paredes de contenção e outra para formar o fundo do canal, permitem a estruturação de redes de drenagem de maior capacidade, sem perder as características básicas: leveza e dimensões reduzidas.
Em conjunto, as peças formam a rede de infraestrutura que funde as funções de percurso e drenagem, criando caminhos de pedestre que dão acesso às edificações, enquanto fabricam um sistema de drenagem pluvial que provê segurança para a ocupação de morros e encostas.
RENURB – pré-fabricação em argamassa armada para saneamento básico
João Filgueiras Lima, Lelé
Salvador – BA, 1980-1982
Desenho: Luiza Ceruti
Essa é uma das estratégias apresentadas no segundo ato da exposição (RE)INVENÇÃO, com curadoria de Luciana Saboia, Matheus Seco e Eder Alencar, do grupo Plano Coletivo, que ocupa o Pavilhão do Brasil durante a 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia. Para conferir todas as estratégias, confira a publicação digital da mostra.