• Acessibilidade
      Fonte
    • A+
    • Aa


  • Agenda
  • Busca
  • pt
    • en
  • Bienal
  • fundação
  • bienal a bienal
  • Agenda
  • +bienal
  • biblioteca
  • Arquivo Histórico
  • 70 anos
  • apoie
  • café bienal
  • transparência
  • relatório de gestão 2022-2023
  • Imprensa
  • contato
  • identidade visual
  • trabalhe conosco
Home Entrevistas Pois o tempo é a testemunha da humanidade: entrevista com Ruth Ige

24 abr 2026

Pois o tempo é a testemunha da humanidade: entrevista com Ruth Ige

Vista da série For Time Is the Witness of Humanity, de Ruth Ige, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo em Curitiba - © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo

Pinceladas de cor índigo e de vários tons de azul estão impregnadas nas pinturas de Ruth Ige, caracterizadas pela presença enigmática de figuras sem rosto. Exibida na 36ª Bienal de São Paulo, a série Pois o tempo é a testemunha da humanidade integra a mostra itinerante da Bienal em Curitiba. Leia abaixo o depoimento da artista.

 

Ruth Ige
A Person of Great Courage, 2023
Acrílica sobre tela
152 x 122 cm
Cortesia da artista e Stevenson Gallery

Azul / Índigo

O azul, em geral, representa esse refúgio, esse lugar onde minhas figuras podem lamentar e se alegrar. Onde podem receber dignidade e respeito. Onde podem ser livres e cercadas de amor.

Vejo o azul como uma prática ancestral. É diaspórico. É uma língua materna. O azul tem axé. Tem vida e energia. Também é capaz de transmitir a vida com muita empatia. O azul contém múltiplas emoções ao mesmo tempo. Representa a vida, a água, o céu, novos começos, renovação e esperança. No entanto, também pode simbolizar tristeza, luto e a dor mais profunda. Contém todas as emoções e sentimentos complexos e multifacetados da experiência humana. Dá voz até mesmo às emoções difíceis de descrever. 

Na cultura iorubá, o índigo representa o amor. É até mesmo usado como remédio. O índigo é um antigo veículo da linguagem. Isso é visto nos tecidos índigo nigerianos, como o Adire, usado pelo povo Iorubá, e o tecido Ukara, da cultura igbo. Esses tecidos carregam símbolos de sabedoria, conhecimento, história, mitologia, proteção e espiritualidade que foram transmitidos e preservados neles.

 

Vista da série For Time Is the Witness of Humanity, de Ruth Ige, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo em Curitiba © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo

 

Pois o tempo é a testemunha da humanidade

O tempo é um aspecto importante da minha prática. Em minhas pinturas, passado, presente e futuro coexistem. Com frequência utilizo as imagens, a linguagem e a mecânica da ficção especulativa para abordar temas sérios, complexos e importantes. Usei o tempo como ponto de partida para abordar o tema da Bienal. 

O título do conjunto de obras Pois o tempo é a testemunha da humanidade surge da minha concepção do tempo como um ser ou entidade personificada que testemunhou o progresso da humanidade e do mundo. O tempo se lembra e viu as partes que esquecemos. O tempo viu tudo. Ele estava lá antes de nós, está aqui conosco agora e estará lá depois de nós. É uma testemunha da nossa humanidade. 

 

Vista da série For Time Is the Witness of Humanity, de Ruth Ige, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

 

Herança

Sou iorubá por parte de pai e igbo por parte de mãe. Os materiais que uso estão profundamente enraizados na minha herança, e também na diáspora em diferentes partes do mundo. Há folhas secas nigerianas, como Uziza, Ugu e Ewuro/Onugbu, que são usadas na alimentação e na medicina tradicionais pelos povos Igbo e Iorubá. 

O pó de folha de baobá é proveniente da Nigéria. O baobá é uma das árvores mais longevas nativas da África, encontra-se em inúmeras mitologias africanas e é visto como “a árvore da vida”. Usar um material que existe há tanto tempo na Terra e que testemunhou a humanidade e suas experiências foi uma conexão muito poderosa para mim.

Estou sempre tentando encontrar diferentes tons de azul que posso adicionar à paleta de pintura. A espirulina azul é um azul natural. Adoro o fato de a espirulina crescer na água, pois a água é parte importante do meu trabalho. Descobri ainda que no Chade, na África Central, existe uma longa tradição em que a espirulina é colhida e usada pelas mulheres de um grupo étnico específico.

Também quis reconhecer e honrar a profunda conexão ancestral e espiritual entre os iorubás e o Brasil por meio de materiais como a argila brasileira.

 

Vista da série For Time Is the Witness of Humanity, de Ruth Ige, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo em Curitiba © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo

 

Poesia

A poesia é parte fundamental do meu trabalho. É a linguagem e a essência da minha abordagem às pinturas. Normalmente, escrevo um poema para cada conjunto de obras, que em geral é incluído na exposição. Também é assim que dou nome às minhas pinturas. A poesia me permite desenterrar e trazer à tona emoções de forma holística. Ela dá vida a uma obra.

Compartilho a primeira estrofe do poema homônimo que escrevi para o conjunto de obras da 36ª Bienal, Pois o tempo é a testemunha da humanidade.

As várias águas do nosso ser

Tempo você viu todas,

Tentamos encontrar nosso caminho no seu enlace

Para você nos levar pelas montanhas

E às vezes nos permitir voar

Para encontrar quem somos

Pois há muitas questões que perguntamos

 

*A fala da artista e seu poema foram realizados em inglês e traduzidos para o português. Para acessar o material na língua original, clique aqui.

Leia também


Acessar +bienal
Foto de pessoas manipulando croquis de projeto expográfico. Elas usam luvas e são vistas de cima.
Projeto expográfico do escritório de arquitetura Vão para a 35ª Bienal de São Paulo no Arquivo Histórico Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo© Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Notícias14 maio 2026

Arquivo Histórico Wanda Svevo é declarado de interesse público e social pelo CONARQ

Reconhecimento federal consolida a importância do Arquivo Histórico Wanda Svevo para a memória da arte moderna e contemporânea brasileira.

Saber mais
Notícias14 maio 2026

Fundação Bienal abre inscrições para seleção de supervisor de operações de eventos

Buscamos um profissional experiente para atuar como Supervisor de Operações em uma das mais importantes instituições culturais da América Latina, reconhecida internacionalmente por promover a divulgação da arte contemporânea, com grande influência no desenvolvimento das artes visuais brasileiras. Localizada no Parque Ibirapuera, em São Paulo, opera em um icônico pavilhão modernista projetado por Oscar Niemeyer. A instituição é responsável pela criação e organização da Bienal de São Paulo e suas itinerâncias, além das participações brasileiras nas Bienais de Arte e Arquitetura de Veneza.

Saber mais
Foto de duas pessoas lado a lado na rampa do Pavilhão da Bienal. A pessoa ao lado esquerdo é uma mulher alta, de cabelos soltos encaracolados, sorrindo, de pele negra, usando um terno em alfaiataria. Ao lado direito, um homem branco está com o braço apoiado no guarda-corpo, mais sério, com cabelos raspados, usando um terno escuro com detalhe em vermelho. O prédio atrás é branco e possui curvas sinuosas.
Retrato de Amanda Carneiro e Raphael Fonsceca, curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo© Fe Avila / Fundação Bienal de São Paulo
Notícias28 abr 2026

Fundação Bienal de São Paulo anuncia Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo

Com trajetórias construídas entre o Brasil e os principais eventos e instituições de arte do mundo, a dupla assume a curadoria da edição prevista para 2027 no Pavilhão Ciccillo Matarazzo.

Saber mais

Newsletter

Receba a Newsletter da Bienal

Bienal

  • Fundação
  • Bienal a Bienal
  • Agenda
  • +bienal
  • Biblioteca
  • 70 anos
  • Arquivo Histórico
  • Apoie
  • Café Bienal
  • Transparência
  • Relatório de Gestão 2022-2023

  • Contato
  • Identidade Visual

Fundação Bienal de São Paulo

Av. Pedro Álvares Cabral, s/n - Moema CEP 04094-050 / São Paulo - SP

Contato

+55 11 5576.7600 contato@bienal.org.br

Privacidade
•
Termos de uso
Copyright © 2026 Bienal de São Paulo
Ao clicar em "Concordar", você concorda com uso de cookies para melhorar e personalizar sua experiência, bem como nossa Política de Privacidade. Ver a Política de Privacidade*.
Concordar